1 de dezembro de 2014

Igreja não é tribunal! Será?

Pois é, sempre fico a me perguntar por que temos uma tendência de perceber as coisas a partir das partes e não do todo. Confesso que ainda não encontrei resposta satisfatória, mas insisto em refletir sobre o assunto. Vejo isso acontecendo muitas vezes quando o assunto é a Igreja de Cristo (minha área de atuação, portanto meu alvo de maior atenção), pois é comum em nosso meio valorizarmos uma característica que mais apreciamos em detrimento das demais. Vou citar um exemplo para que aqueles que estiverem lendo este texto possam entender. Muitos já leram a frase “A IGREJA DEVE SER MAIS HOSPITAL E MENOS TRIBUNAL” e, provavelmente, concordaram com ela, pois isso nos parece o mais certo quando se trata da Igreja de Cristo. Mas o problema dessa afirmação é que ela não é, por assim dizer, inteiramente bíblica, pois como disse enfoca apenas um aspecto da Igreja. Ela é hospital, mas ninguém quer viver o resto da vida na UTI, pois se isso acontecesse, provavelmente mudaríamos o local do nosso tratamento, ou seja, você entra doente, mas não deve permanecer assim. Ela deve ser menos tribunal, mas se não zelar pelo bom testemunho cristão, mesmo que para isso tenha que fazer uso da disciplina bíblica, então não está sendo eficiente em cumprir o seu papel de preservar a sã doutrina e a santidade. Para isso, é necessário julgar os casos a luz da Palavra de Deus e proceder com a prática bíblica da correção.
Enfim, não sei se você entendeu, mas todas as vezes que tivermos que avaliar algo, devemos nos empenhar ao máximo para ter uma visão mais ampla sobre o assunto, para não incorrer no equívoco de distorcer a realidade. Paz a todos!


PS: só para constar, acredito que a Igreja é o Corpo de Cristo e apenas esse termo já bastante amplo para defini-la.

27 de novembro de 2014

Além das quatros paredes.

Um assunto de extrema relevância na atualidade quando se trata das igrejas cristãs, é aquele que trata do papel que elas devem exercer na sociedade. Sabemos que a Igreja de Cristo é um organismo formado por adoradores, comprometida com a evangelização e com a transformação da sociedade. Mas esse é o nosso papel como Corpo de Cristo, a Igreja Invisível que se estende sobre toda a Terra. Mas acredito que devemos avaliar nossa responsabilidade como igreja local, ou seja, como uma entidade localizada dentro de um território, uma comunidade menor inserida numa comunidade maior. Nesse sentido, o conceito de Igreja Estendida precisa ser colocado em prática. Basicamente, entendemos que uma igreja local, que possui um espaço físico para as suas reuniões, precisa ser um ponto de referência para a comunidade em seu entorno. Ela deve extrapolar os limites das atividades meramente religiosas e se tornar um centro de apoio comunitário, ou seja, um local onde pessoas convertidas ou não possam enxergar como uma localidade aberta a eles e disposta ajudá-los na medida da sua capacidade. Dentro da visão de uma Igreja Estendida, não existe margem para templos suntuosos que servem apenas para os momentos de culto dos seus congregados e no restante da semana, fica entregue as moscas, por se tratar de um espaço subutilizado. Enfim, Igreja estendida é igreja com cheiro de gente, com preocupações reais com relação ao mundo que a cerca e com disposição necessária para suprir as demandas que surgem, segundo a graça e a provisão dada por Deus. Numa Igreja Estendida, as portas não estão abertas somente nos domingos de culto, mas sempre que se fizer necessário para que muitos possam se beneficiar dela.

26 de novembro de 2014

Sobre apologia bíblica.


Apologia bíblica é coisa séria. A defesa da fé não pode ser relegada a segundo plano para quem de fato deseja conhecer de fato e de verdade as escrituras Sagradas. Mas devemos saber como agir diante de algo tão fundamental para a construção de uma espiritualidade sadia.

Para compreender um pouco melhor esse assunto, vamos avaliar um texto bíblico que aborda esse tema. Atos 17: 1 – 14 cita a experiência de Paulo em duas cidades: Tessalônica e Beréia. O que aconteceu nas duas cidades é bem similar. Basicamente, Paulo se dirigiu a sinagoga local, onde costumeiramente as pessoas se reuniam para estudar as Escrituras Sagradas (obviamente o Antigo Testamento) e expôs a mensagem de Cristo. Nas duas cidades, pessoas se converteram, após examinar o que estava sendo dito. Mas enquanto em Tessalônica, surgiu um grupo de pessoas invejosas que perseguiram Paulo, já em Beréia isso não aconteceu (na verdade, os tessalônicos foram até Beréia para causar tumulto).

Tendo isso em mente, chego a conclusão que a maior diferença entre essas duas cidades não foi o fato de examinarem as Escrituras antes de aceitarem o que estava sendo dito, pois as duas agiram de igual modo e sim a atitude com a qual receberam a mensagem (lembre-se da parábola do semeador). Entre os tessalonicenses havia pessoas invejosas, interessadas apenas nas suas vontades e verdades. Já em Beréia, todos eles receberam a mensagem com grande interesse e nobreza de espírito. Essa foi a grande diferença, a motivação com a qual receberam a mensagem! Então, não somos “bereanos” porque somos pessoas que examinam as Escrituras e sim porque a recebem com interesse e nobreza, sabendo da sua importância como Palavra revelada de Deus. Ser bereano não é ser um apologista chato, que critica a tudo e a todos pelo simples prazer de ser alguém que não engole as coisas facilmente. Ser bereano é ser alguém que é fascinado pela Verdade que irradia das Escrituras e por isso a examina com o desejo que ela produza as transformações necessárias na vida de quem lê e de quem ouve. Encerro, deixando a pergunta do título no ar: “Sou realmente um bereano?”.

Paz a todos!



Ton Silva.