9 de abril de 2016

Sobre pessoas invisíveis.


Todos os dias tenho o prazer de levar e buscar meu filho na escola. Normalmente, quando estou voltando para casa, faço o mesmo itinerário. Algum tempo atrás, parado no semáforo, observei uma criança de no máximo 5 anos de idade, brincando no meio da terra no canteiro da rua. Lá estava ele, com um pedaço de pau, de vez em quando cavando um buraco, de vez em quando brincando de espada. Logo percebi que sua mãe estava por perto vendendo água para os motoristas que ali paravam. O semáforo abriu e eu fui embora com aquela imagem na minha cabeça. Passei ali mais uma dezena de vezes e em vários destes momentos, vi novamente aquela criança toda suja de terra brincando sozinha ao lado da pista. Confesso que essa criança me fez perceber algo que eu olhava mas não via, ou seja, a enorme quantidade de moradores de rua, que vivem a margem da sociedade como se fossem pessoas invisíveis. Confesso que num primeiro momento, a minha reação foi tentar racionalizar o problema e quem sabe ignorá-la, mas eu simplesmente não consegui! Poderia me dar por satisfeito, pois a igreja que pastoreio possui engajamento social, mas isso não me serviu e até hoje não me serve como desculpa. O fato é que existem muitas pessoas que vivem em condições sub-humanas e que nem ao menos são vistas e pensar nisso dói muito. Ver a imagem de Deus tão distorcida em outro ser-humano me causa uma profunda tristeza e o que é pior, um profundo sentimento de incapacidade. Continuo passando no mesmo local e vendo aquela criança e tantos outros que vivem como se não existissem para a sociedade e não tenho respostas práticas para isso. Só sei que me sinto incapaz e envergonhado por ver uma situação tão trágica e não ter condições de fazer nada. Me pergunto em momentos como esse: " O que a Igreja de Cristo está fazendo? Qual é a nossa resposta para os sofredores e necessitados deste mundo? Afinal de contas, o que podemos fazer por essas pessoas invisíveis?" Confesso que não sei, mas ando procurando respostas e que o Senhor me ajude a encontrá-las, em nome de Jesus!

1 de agosto de 2015

o cristão e a responsabilidade social

Vamos fazer um exercício de reflexão sobre o tema RESPONSABILIDADE SOCIAL, tendo como base as Sagradas Escrituras. Nela encontramos dois modelos comunitários estabelecido por Deus. O primeiro modelo é a nação de Israel (Antiga Aliança), responsável por preparar o caminho para a vinda do Messias. As leis deixadas por esta nação tratam de justiça social de forma muito direta, ou seja, o próprio Deus incita a nação a ser justa não apenas do ponto de vista espiritual, mas também do ponto de vista social. O segundo modelo é a Igreja de Cristo (Nova Aliança), responsável por proclamar a mensagem do Messias. No seu estágio inicial, a Igreja compreendeu e praticou a justiça social não como lei imposta por Deus, mas como fruto do agir de Deus entre eles, por isso não permitiram que existisse desigualdade na nova comunidade que estava sendo estabelecida. Então, me diga como hoje podemos ser tão indiferentes a isso? Como podemos, dentro de um contexto social com tantas desigualdades, nos preocuparmos apenas com a manutenção da nossa própria espiritualidade? Será que fomos chamados apenas para pregar o Evangelho sem ter o compromisso de também contribuir de forma prática com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária? Algo está errado não acha?

21 de junho de 2015

A ditadura do relativismo.

Vivemos um tempo bem estranho do ponto de vista filosófico-existencial. Atualmente, nenhuma verdade pode se absolutizar, pois é rapidamente execrada pela maioria esmagadora dos descolados de plantão. A única verdade que pode prevalecer é que todos possuem a sua própria verdade, criando assim um pensamento altamente relativista, que tem dominado quase todas as esferas do comportamento humano. Conceitos arraigados por anos e até mesmo séculos em nossa sociedade, estão sendo implodidos tão rapidamente, que nem ao menos percebemos quando isso acontece, mas no lugar, nada é construído além da liberdade de cada um edificar as suas próprias convicções. Isso é confuso, pois quando deixamos de defender com fervor nossas ideologias porque, segundo dizem, o mundo pós-moderno não comporta mais pensamentos lineares e ultrapassados, estamos na verdade criando uma ditadura relativista, onde nada pode ser afirmado com total certeza, apenas a incerteza é padrão universal. Temo por este momento, pois percebo que ele está criando um vácuo de reflexão crítica nas pessoas de um modo geral, pois discordar é quase uma necessidade, mas ao mesmo tempo afirmar com convicção uma verdade pessoal é praticamente um crime. Num ambiente como esse, provavelmente, não teremos muitos avanços na área do conhecimento humano. Enfim, num mundo onde tudo é relativo, o mesmo se torna padrão absoluto e ai está a grande ironia da pós-modernidade.

PS: ninguém pode questionar este texto, afinl de contas essa é MINHA PERSPECTIVA sobre o momento atual. O que posso dizer: bem vindo ao mundo das incoerências pós-modernas!