11 de julho de 2014

"Foi só um apagão!"

Depois do resultado mais vexaminoso da história do futebol brasileiro, o que mais tenho ouvido por parte daqueles que protagonizaram tal feito é: “foi só um apagão!”. Repetindo isso a exaustão, creio que querem convencer os outros, mas principalmente a si mesmos, pois assim a situação fica menos dolorosa. Esse é um hábito humano que, diante do erro, insiste em buscar uma justificativa para o mesmo. Tenho visto isso na prática diária do pastorado. Quando o pecado alheio vem à luz, queremos justiça a qualquer preço, mas quando se trata do nosso pecado pessoal insistimos que foi só um deslize! Apenas um momento de fraqueza onde nos deixamos levar pela doce sedução das trevas. Isso é um grande problema, pois na maioria das vezes não é apenas uma escorregadela e sim um comportamento crônico que possui raízes mais profundas e que se não forem tratadas com honestidade e humildade nunca serão resolvidas. Enfim, se desejamos mudança em nossa vida quando erramos, precisamos assumir a culpa pelos nossos erros e ter uma atitude radical diante dos mesmos, senão podemos apelar para a desculpa mais ouvida nos últimos dias: “FOI SÓ UM APAGÃO!”.

7 de fevereiro de 2014

Amantes da morte.

“Em 9 de abril de 1945, ao ser conduzido para a forca em um campo de concentração em Flossenburg, na Alemanha, Bonhoeffer escapou dos dois guardas da SS que o prendiam e saiu correndo em direção ao nó da forca, gritando: Ó morte, tu és o festival supremo na estrada rumo a liberdade cristã.”

Bonhoeffer foi um teólogo luterano, que viveu na Alemanha nazista. Por não aceitar o governo de Hitler e se rebelar contra ele, foi preso e morreu como mártir. Este trecho acima citado sobre a sua vida, foi retirado por mim do livro de Brenann Manning (Convite à Solitude). Quando li esta história, confesso que me emocionei, mas também senti um pouco de vergonha de mim mesmo. Numa sociedade e porque não dizer, numa igreja tão acostumada com a busca desesperada pelo sucesso e a felicidade ainda nesta vida, relatos como esse nos fazem pensar em que temos nos tornado. Creio que Deus, como Pai de Amor tem interesse em nos alegrar com as suas ricas bênçãos ainda em vida, mas sinceramente não acredito que este seja o alvo principal de nossa espiritualidade, como infelizmente tem se tornado, pois muitas vezes, parecemos crianças mimadas, que choram e se saracoteiam pelo chão quando não são atendidas. Acredito de todo meu coração que o Deus que habita na Eternidade, anseia em preparar filhos desejosos de estar com Ele, amantes da morte não como fruto de um sentimento depressivo e autodestrutivo, mas como manifestação da alegria da salvação. Que possamos amar a morte em Deus como Bonhoeffer e outros mártires cristãos amaram. No mais, lembremos a palavra do apóstolo Paulo:


“Para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho.” (Fil. 1: 21)

21 de janeiro de 2014

Somos apenas seres - humanos!

Uma das maiores tentações a que somos submetidos diariamente e às vezes nem nos damos conta disso, é a de negar a nossa própria humanidade. Parece estranho dizer isso, mas quando Satanás consegue nos fazer pensar, que por sermos cristãos, nos tornamos algo um pouco mais elevado do que um ser-humano comum, é um sinal de que sucumbimos à tentação da vaidade e ostentação espirituais e isso é altamente prejudicial para o desenvolvimento de uma espiritualidade sadia, pois a mesma tem por base a compreensão exata da nossa miserável condição humana e como consequência da nossa profunda necessidade da graça salvadora de Cristo. Além do mais, acreditar numa mentira e viver baseado nela é como construir um castelo de cartas: ele é bonito, mas não suporta nenhuma força contrária. Por isso, afirmo que o inimigo de nossas almas tenta nos levar a crer que somos mais perfeitos do que realmente somos. Ele nos tenta com a doce sensação criada pelo perfeccionismo religioso e quando menos esperamos, nossa vida se tornou um castelo de cartas pronto a desmoronar. Que Deus tenha piedade de nós e que nos ajude a ver o quão humano nós somos! Paz a todos!