25 de agosto de 2014

O erro e suas consequências

Despeje um litro de óleo no chão e tente limpar tudo com apenas um guardanapo. Você verá que é uma tarefa impossível de ser realizada com perfeição. O guardanapo será apenas um paliativo, por assim dizer, diante da sujeira causada pelo óleo. Agora aplique esta mesma lógica para os erros que cometemos e as consequências dos mesmos. Apenas atitudes superficiais não serão suficientes para limpar o rastro de sujeira que deixamos para trás. Devemos ser radicais quando o assunto se trata de consertar erros cometidos e não ficar arranjando desculpas para a nossa própria consciência. Isso não resolve nada. Obviamente, não estou minimizando o poder redentor de Cristo, apenas estou falando sobre as consequências dos nossos erros e como devemos agir diante disso, pois quando somos alvo da injustiça alheia, julgamos que somos merecedores de uma retratação correta, mas quando  o culpado somos nós, normalmente relativizamos o erro e a forma de lidarmos com ele. Creio que nos falta uma boa dose de bom - senso e por que não dizer de vergonha na cara. Se espalhou o óleo, faça tudo o que for necessário para limpar a sujeira!

11 de julho de 2014

"Foi só um apagão!"

Depois do resultado mais vexaminoso da história do futebol brasileiro, o que mais tenho ouvido por parte daqueles que protagonizaram tal feito é: “foi só um apagão!”. Repetindo isso a exaustão, creio que querem convencer os outros, mas principalmente a si mesmos, pois assim a situação fica menos dolorosa. Esse é um hábito humano que, diante do erro, insiste em buscar uma justificativa para o mesmo. Tenho visto isso na prática diária do pastorado. Quando o pecado alheio vem à luz, queremos justiça a qualquer preço, mas quando se trata do nosso pecado pessoal insistimos que foi só um deslize! Apenas um momento de fraqueza onde nos deixamos levar pela doce sedução das trevas. Isso é um grande problema, pois na maioria das vezes não é apenas uma escorregadela e sim um comportamento crônico que possui raízes mais profundas e que se não forem tratadas com honestidade e humildade nunca serão resolvidas. Enfim, se desejamos mudança em nossa vida quando erramos, precisamos assumir a culpa pelos nossos erros e ter uma atitude radical diante dos mesmos, senão podemos apelar para a desculpa mais ouvida nos últimos dias: “FOI SÓ UM APAGÃO!”.

7 de fevereiro de 2014

Amantes da morte.

“Em 9 de abril de 1945, ao ser conduzido para a forca em um campo de concentração em Flossenburg, na Alemanha, Bonhoeffer escapou dos dois guardas da SS que o prendiam e saiu correndo em direção ao nó da forca, gritando: Ó morte, tu és o festival supremo na estrada rumo a liberdade cristã.”

Bonhoeffer foi um teólogo luterano, que viveu na Alemanha nazista. Por não aceitar o governo de Hitler e se rebelar contra ele, foi preso e morreu como mártir. Este trecho acima citado sobre a sua vida, foi retirado por mim do livro de Brenann Manning (Convite à Solitude). Quando li esta história, confesso que me emocionei, mas também senti um pouco de vergonha de mim mesmo. Numa sociedade e porque não dizer, numa igreja tão acostumada com a busca desesperada pelo sucesso e a felicidade ainda nesta vida, relatos como esse nos fazem pensar em que temos nos tornado. Creio que Deus, como Pai de Amor tem interesse em nos alegrar com as suas ricas bênçãos ainda em vida, mas sinceramente não acredito que este seja o alvo principal de nossa espiritualidade, como infelizmente tem se tornado, pois muitas vezes, parecemos crianças mimadas, que choram e se saracoteiam pelo chão quando não são atendidas. Acredito de todo meu coração que o Deus que habita na Eternidade, anseia em preparar filhos desejosos de estar com Ele, amantes da morte não como fruto de um sentimento depressivo e autodestrutivo, mas como manifestação da alegria da salvação. Que possamos amar a morte em Deus como Bonhoeffer e outros mártires cristãos amaram. No mais, lembremos a palavra do apóstolo Paulo:


“Para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho.” (Fil. 1: 21)